quinta-feira, 12 de abril de 2012

conselhos para Leitores - Em verso é mais fácil!


Conselhos litúrgicos: Em verso é mais fácil!

Os poetas têm a capacidade de tornar simples coisas complexas, fáceis as mais difíceis, e de fazer sorrir quem estiver sério demais. A colaboração de um poeta é, por tudo isso bem-vinda. O material que se segue é uma contribuição da Conferência Episcopal Portuguesa.



Pra seres bom leitor,
prepara bem a leitura
e sobe com compostura,
pois vais servir ao Senhor.

Anda, vai ver antes a leitura
e não digas: “eu já vi”.
Olha que a Sagrada Escritura
é para os outros e é para ti!

Na Palavra, o importante
é mesmo Aquele que fala.
Mas se não lês bem na estante
a boca de Deus se cala.

O texto é uma paisagem:
constitui uma unidade.
Realça-lhe a poesia,
fá-lo falar de verdade!

Os fiéis contam contigo
para poderem entender.
Por isso, como te digo:
é preciso saber ler!

Um leitor para ser bom,
há de começar na base.
Não pode baixar o tom
no final de cada frase.

Relato ou exortação,
salmo ou hino triunfal,
poema ou oração,
não se lê tudo igual.

Olha o livro e a assembleia,
proclama com alegria.
Faz como Jesus faria
Ao proclamar com galhardia!

Não precisas de correr
desde o teu assento até o ambão.
Também não corras ao ler,
cuida bem de tua dicção.

Mantém-te firme nos pés,
mas com naturalidade.
As mãos em cima da estante
para estares mais à vontade.

Respira bem, que a Palavra
é uma espada cortante.
Se a proclamares com vida,
a escuta será orante.

Espera que toda a assembleia
esteja tranquila e sentada.
Toma contato com ela
com uma simples olhada.

Atenção com os teus olhos
bem como com a tua mente:
eles correm mais do que os ouvidos
dos que estão à tua frente.

Atenda bem ao que lês,
proclama com emoção!
Que se note que tu crês
com todo o teu coração.

As palavras que proclamas
com alegria e amor
não são palavras humanas,
são Palavras do Senhor.

Formação litúrgica para Leitores - 2ª parte: Leitor, porta-voz do Senhor


Formação litúrgica para Leitores - 2ª parte

 Leitor: porta-voz do Senhor
 
Um dia, na Sinagoga de Nazaré, alguém se levantou no meio da assembleia para fazer a leitura. Era Jesus. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Ele abriu-o e encontrou a passagem da Escritura onde estava escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim...” Depois, fechou o livro, devolveu-o ao encarregado e sentou-se” (Lc 4,16-20). Continuam ser esses os gestos dos leitores hoje: estar na assembleia, levantar-se, abrir o livro, fazer a leitura e sentar-se. Não falta sequer o cumprimento da palavra de Isaías, dado que por detrás do leitor que proclama o texto... é o Espírito Santo que fala.
Tal é o mistério e a grandeza do ministério litúrgico do Leitor: permitir que o Espírito do Senhor fale por meio dele e fale antes de tudo a ele, lendo em sua vida a Palavra que irá anunciar aos seus irmãos.
            O bom Leitor é aquele que se torna o primeiro a deixar-se converter por aquilo que lê. Durante a leitura, ele recorda em seu coração a realidade vivida pela Palavra que seus lábios pronunciam. Santo Agostinho nos dá um exemplo ao comentar o versículo de um salmo: “‘Meus Deus, salvai-me do pecador, do homem iníquo e violento’. Seja quem for que proclame este versículo não pode deixar de pensar nas suas próprias experiências. Quer ouça estas palavras da boca do Leitor, quer as pronuncie ele mesmo, pensa nos pequenos acontecimentos de sua vida pessoal, de tal inimigo, em tal outro que o queria maltratar, ou ainda outro que redigiu contra si um documento difamatório. Por isso podemos vê-lo proclamar com emoção. A fisionomia de quem lê adapta-se ao texto lido, e por vezes até vemos lágrimas a correr-lhe pela face abaixo. Suspira a cada palavra, e para quem se deixa levar por aparências, este homem parece entregar-se verdadeiramente e por inteiro à Palavra do Senhor: vede como suspira, como suspira profundamente! Poe-se a proclamar com toda força, com toda a alma, a proclamar com a voz, com o rosto, do fundo do seu coração: ‘Meu Deus, salvai-me do pecador, do homem iníquo e violento’, e ao dizer isto, vai pensando em seu próprio inimigo, e vai experimentando a proteção do Altíssimo”.
Um outro exemplo de como a Palavra de Deus é viva e eficaz por si mesma, mas dependente do envolvimento existencial do leitor com a Palavra que irá proclamar, encontramos em Neemias 8, 1-10:
“Todo o povo se reuniu então, como um só homem, na praça que ficava diante da porta da Água, e pediu a Esdras, o escriba (Leitor), que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor havia prescrito a Israel. Esdras trouxe o livro diante da assembléia de homens, mulheres e de todos que fossem capazes de compreender. Esdras fez então a leitura da lei desde a manhã até o meio-dia; todos escutavam atentamente a leitura. Esdras subiu ao estrado que haviam construído para a ocasião, abriu o livro à vista de todo o povo; ele estava, com efeito, elevado acima da multidão. Quando o Leitor abriu o livro, todo o povo levantou-se. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus; ao que todo o povo respondeu, levantando as mãos: Amém! Amém! Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor com a face por terra. Depois o governador Neemias, Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo, disseram a toda a multidão: Este é um dia de festa consagrado ao Senhor, nosso Deus; não haja nem aflição, nem lágrimas. Porque todos choravam ao ouvir as palavras da lei. Neemias disse-lhes: Ide para as vossas casas, fazei um bom jantar, tomai bebidas doces, e reparti com aqueles que nada têm pronto; porque este dia é um dia de festa consagrado ao nosso Senhor; não haja tristeza, porque a alegria do Senhor será a vossa força”.
Por tudo que foi apresentado, cada comunidade há de procurar as pessoas com mais capacidade para ler e diligentemente prepará-las para este ministério. Técnica vocal, dicção correta, adequada entonação para cada momento da leitura são imprescindíveis. Todavia os fiéis desenvolverão no seu coração um afeto vivo pelas Sagradas Escrituras – e mais, pelo próprio Senhor que a eles fala – se não faltar aos Leitores a experiência do mistério que anunciarão nas santas assembleias.

Formação litúrgica para Leitores, 1ª parte: "Ei, você, pode fazer leitura na missa hoje?"


formação para leitores, 1ª parte:
“Ei, você: pode fazer leitura na missa hoje?”

Se em sua paróquia esta pergunta não faz mais parte do diálogo habitual dos responsáveis pela organização litúrgica, agradeça profundamente ao Senhor! O espírito do Concílio Vaticano II já está se instaurando em sua comunidade paroquial.
Muito se avançou na consciência de uma liturgia bem celebrada por nossos diversos ministros e ministras espalhados pela Diocese. Grande parte de nossas assembleias litúrgicas já contam com um estável grupo de leitores para as missas que, antecipadamente, se preparam para o exercício de tão excelso ministério litúrgico. Excelso sim, sem exagero por parte do autor destas linhas!
Alguém poderá dizer: “mas sem o leitor a missa acontece da mesma forma”. De fato, juridicamente (ou seja, por lei divinamente instituída) Jesus se faz presente no pão e no vinho consagrado por um padre validamente ordenado. Mas sem um leitor apaixonado pela sua missão, competente no exercício da mesma e transbordante de espiritualidade pascal, penso que Deus “perderá” uma oportunidade impar de atingir um coração distraído e que esteja presente em Sua assembleia. Jesus Ressuscitado conta com bons leitores, diáconos e padres para se tornar Palavra outra vez e chegar aos corações humanos: excelso ministério daquele que empresta todo o seu ser para que o Senhor possa se comunicar com sua família!
Digo “todo o seu ser” pois, humanamente, um bom comunicador não se utiliza somente de sua voz. Segundo Lair Ribeiro, o comunicador deve estar atento aos gestos, pois a palavra representa apenas 7% da capacidade de influenciar pessoas, enquanto que, o tom de voz representa 38% do poder da comunicação e a postura corporal 55% desse poder. Se estes três elementos estão presentes em qualquer comunicação humana, em se tratando da leitura da Palavra de Deus, um quarto fator precede (mas não desmerece) a todos os demais: a espiritualidade.
O bom leitor (seja ele leigo, a respeito das leituras e do canto do salmo, ou ministro ordenado, quanto à proclamação do Evangelho), é aquele que deixa transbordar pela postura, olhar e voz a SUA experiência com o Senhor da Palavra. Só assim ele poderá proclamar a “Palavra do Senhor” com a nobreza de quem se entende “Arauto do Rei” e com a humildade de quem sabe que é importante que “Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). Lê bem a palavra que nos traz a salvação aquele que leva seus irmãos para o Senhor, e não para si próprio. Mesmo que sua experiência com o Senhor seja fundamental para o salutar exercício de seu ministério, o bom Leitor é uma seta: aponta para o Cristo, único Cordeiro que tira o pecado do mundo (Jo 1,27).
 Nossas liturgias já avançaram muito. Nossos Leitores (com “L” maiúsculo) estão descobrindo a grandeza de seu ministério nas celebrações litúrgicas. Mas como o Senhor disse a Elias por meio do anjo, hoje também nos repete: “Levanta-te e come, ainda tens longo caminho a percorrer” (1Rs 19,7). A cada Domingo, dia do Ressuscitado, a Igreja se levanta de seu natural cansaço diante de tantos desafios que o mundo nos apresenta no decorrer da semana, se alimenta da Palavra e da Eucaristia e, robustecida pela graça de seu Senhor, volta para a sua missão de espalhar pelo mundo, o reinado Daquele que venceu o pecado e a morte.
Queridos Leitores e Leitoras de nossas santas assembleias: o ministério que vocês exercem é insubstituível. Não descuidem de seu exercício, não subestimem sua grandeza, não menosprezem o seu valor.


DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA OU DOMINGO "IN ALBIS"?
O 2º Domingo da Páscoa, desde os primórdios da Igreja era tido como "Domingo in albis", Domingo "vestido de branco", pois era o último dia em que os batizados vestiam as vestes brancas recebidas no Batismo acontecido uma semana antes na Vigília Pascal.
Por inspiração divina e vontade do beato João Paulo II, em tempos recentes difundiu-se progressivamente uma devoção particular à misericórdia divina dispensada por Cristo morto e ressuscitado, fonte do Espírito que perdoa o pecado e restitui a alegria de sermos salvos. Como a liturgia do 2º Domingo da Páscoa, ou da divina misericórdia – como agora é chamado – expressa a acolhida da misericórdia do Redentor do homem, os fiéis sejam educados a compreender tal devoção à luz das celebrações destes dias de Páscoa. De fato, “Cristo pascal é a encarnação definitiva da misericórdia, o seu sinal vivo, histórico-salvífico e, ao mesmo tempo, escatológico. Nesse mesmo espírito, a liturgia do tempo pascal coloca em nossos lábios as palavras do salmo: ‘Vou cantar para sempre as misericórdias do Senhor’” . Logo, é plenamente conciliável a antiquíssima e genuína Tradição da Igreja com a devoção atual, pois não há graça maior da misericórdia divina do que acolher os seres humanos como seus filhos adotivos pelo batismo, purificando-nos de nossos pecados em seu sangue derramado pela nossa salvação. Conviria, portanto, propagar a devoção presente, retomando aspectos da Tradição, como, por exemplo, as vestes brancas usadas por todos os batizados e, sobretudo, uma adequada catequese sobre o seu significado, aludindo-a ao Batismo e à Misericórdia de nosso Redentor - tema recorrente nas homilias proferidas pelo atual papa Bento XVI no 2º Domingo da Páscoa.

Aos estimados irmãos e irmãs internautas, 
apaixonados por Jesus Ressuscitado e pela sua Liturgia. 

Nas comemorações da oitava da Ressurreição do Senhor, transbordando de alegria pascal, a Comissão de Liturgia da Diocese de Taubaté inaugura mais um meio de comunicação e interação com todos quanto se interessam pela Liturgia do Senhor Ressuscitado em nossas paróquias, comunidades e demais grupos e movimentos presentes na centenária Diocese taubateana. Depois da Fan page no Facebook (COMISSÃO DIOCESANA DE LITURGIA), agora poderemos nos estender nos materiais a serem postados, bem como manter uma maior  interação com quem se interessar e quiser se aprofundar nos temas a serem apresentados, ou mesmo sugerir outros que poderão ser desenvolvidos segundo o interesse de nossos leitores.

Seja bem-vindo! Acompanhe, interaja e divulgue!
O mundo da ação ritual, do canto, e da liturgia é encantador, afinal, encontrar-se com o Senhor de nossas vidas é o maior dom que Ele poderia ter nos deixado.
A todos, desejamos um tempo pascal rico das mais copiosas bençãos Daquele que morto, vive eternamente!



Pe. Roger Matheus dos Santos
Assessor Diocesano de Liturgia